Ministro Padilha diz que 'milhões' recebem
auxílio-doença indevidamente. Executivo anunciou perícia nos repasses do
benefício na quinta-feira (30).
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu
Padilha, afirmou nesta sexta-feira (1º) que o objetivo do governo é iniciar
ainda neste ano o cruzamento dos dados das pessoas que recebem o pagamento de
benefícios sociais.
Padilha deu a declaração no Palácio do
Planalto após participar de uma reunião na qual o Executivo decidiu ampliar o
prazo para o recebimento do abono salarial pelos trabalhadores que não
recolheram o benefício.
Na quinta (30), o ministro interino do
Planejamento, Dyogo Oliveira, já havia anunciado que o governo fará uma perícia
no pagamento do auxílio-doença. Segundo o chefe da Casa Civil, a decisão surgiu
porque "milhões" recebem o benefício de maneira indevida.
"O que estamos tratando é exatamente de
um governo real para um virtual, no qual a gente consiga enxergar tudo. E isso
passa pelo cruzamento dos dados [dos beneficiários]. Ontem [quinta] mesmo o
presidente Michel assinou um decreto nesta direção", disse o ministro.
Questionado, então, sobre quando o governo
iniciará o cruzamento dos dados dos beneficiários, ele explicou que em seis
meses. "Estamos tratando ainda do método para estabelecer toda esta
cronologia", acrescentou.
Sobre o “raio-x” que deverá ser feito nos
programas com cruzamento dos dados dos beneficiários, Padilha declarou ainda
que é preciso fazer uma “revisão” de todos os cadastros porque, na avaliação
dele, o governo deixará de gastar “bilhões” de reais com pagamentos a pessoas
que não se enquadram nos critérios dos beneficiários.
Auxílio
doença
Na quinta, o ministro do Planejamento, Dyogo
Oliveira, disse, para justificar a perícia no auxílio-doença, que são gastos R$
23 bilhões por ano com o pagamento do benefício, dos quais R$ 13 bilhões
somente com pessoas que recebem há mais de dois anos. Isso gerou desconfianças
sobre a possibilidade de fraudes.
Além de um processo mais amplo de perícia no
pagamento do auxílio-doença, Oliveira informou que está sendo iniciado um
cruzamento na base de dados dos beneficiários dos programas sociais do governo,
para verificar se há pessoas com mais de um benefício.
"São ações que vão reduzir despesas, e
não cortar ação social do governo, que é meritória", acrescentou.
G1.globo.com/politica e economia
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